Obras do PAC
revelam tesouros arqueológicos
AE - Agência Estado
O novo ciclo de obras de infraestrutura
do governo federal revelou tesouros arqueológicos literalmente enterrados há
séculos, que não seriam descobertos tão cedo. Analistas do Instituto de
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) gerenciam centenas de sítios
arqueológicos e artefatos durante o licenciamento de empreendimentos do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Alguns dos achados remetem a
civilizações pré-históricas, em áreas que serão cobertas por reservatórios de
hidrelétricas, cortados por rodovias, soterrados por ferrovias ou vizinhas de
refinarias.
Na área da usina hidrelétrica de Belo
Monte (PA), há registro de inscrições rupestres. Em Santo Antônio (RO), onde se
levanta uma usina de 3,15 mil megawatts ao custo de R$ 15 bilhões, há sítios
com artefatos arqueológicos até 4 metros debaixo da terra. Em Jirau (RO), foram
encontradas pinturas rupestres em pedras e cerâmicas indígenas.
No Complexo Petroquímico do Rio de
Janeiro (Comperj), um dos maiores empreendimentos do PAC ao custo de R$ 23,5
bilhões, foi identificada uma pequena cidade, da qual resta visível apenas as
ruínas da fachada de um convento. A localidade foi inteiramente mapeada e,
depois, enterrada novamente, em linha com as melhores práticas internacionais
para preservação de sítios: mantê-los debaixo da terra, até que haja dinheiro
para um projeto de manutenção e estudo apropriado.
Há também casos de barbeiragem de
empresas. Algumas delas, estatais, como a Companhia Hidroelétrica do São
Francisco (Chesf). Durante as obras do programa Luz para Todos no Piauí, a
instalação de um poste causou um buraco no chão de um sítio arqueológico - e um
prejuízo de difícil mensuração.
As informações são do jornal O
Estado de S. Paulo.
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